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COM A AVÓ ATRÁS DO TOCO

Não sei com vocês, mas comigo é assim: tem dia que levanto meio contrariado, meio chateado, a paciência desperta mais curta que o normal. O rosto fechado e a testa enrugada pressentem que o decorrer das horas não será bom. Nessas ocasiões, a coisa mais difícil é arrancar de mim um bom-dia. Um sorriso, então, nem pensar. Como se diz por aí, eu amanheço com a avó atrás do toco! Não é frequente, mas acontece. A sensibilidade fica à flor da pele; qualquer palavra, qualquer olhar, qualquer atitude das pessoas são interpretadas por mim como falta de educação e até quase uma ofensa. Coisas pequenas que normalmente eu “tiraria de letra”, nesses dias eu não engulo e demoro esquecer.

O interessante é que amanheço emburrado sem motivo algum. Mesmo com tudo certo na saúde, no trabalho e nas relações afetivas eu sou, vez em quando, picado por esse vírus do aborrecimento, por essa bactéria da contrariedade e não consigo esconder minha irritação com o mundo, minha zanga com a vida, e vou tropeçando nesse caminho distribuindo antipatias e até perdendo amizades. E minha animosidade não escolhe as pessoas para se manifestar. Ela é com todos: gente da família, amigos, estranhos, gato, cachorro. Minha aspereza atinge as pessoas em casa, no trabalho, nas ruas, em qualquer lugar. Quando estou assim, procuro nem dirigir, pois se alguém buzinar para mim é motivo de briga.

Sei que um dos motivos da existência é a busca do aperfeiçoamento de nosso caráter, da evolução de nosso espírito, por isso tento melhorar sempre, em todos os sentidos. Entretanto confesso que, quando “levanto com o pé esquerdo”, tenho dificuldade de levar adiante esse pensamento. Não posso evitar e, quando vejo, já distribuí um olhar de reprovação, uma cara feia, uma resposta mal dada. Mais cedo é pior; depois vou melhorando até mudar o semblante. O problema é que nesse espaço de tempo eu cometo falhas imperdoáveis, difíceis de reparar depois.

Como sou do sexo masculino, não posso usar como desculpa de que estou “naqueles dias”. Eu amanheço mesmo amargo e pronto! Então, peço a vocês que tenham paciência comigo de vez em quando. Relevem minha cara de poucos amigos, meu mau humor e minhas poucas palavras. Não sou sempre assim, só quando amanheço azedo, com a avó atrás do toco, e até a velha sair de lá demora um pouquinho. Obrigado.

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