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Miguel Patrício -

EU NÃO PEÇO MENOS

Desde o advento da moeda, a prática de compra e venda apresenta vários fatores que contribuem para a sua realização e consequente sucesso. O vendedor necessita de uma boa mercadoria para atrair o cliente e de um valor razoável que garanta a margem de lucro. O comprador, por sua vez, busca o menor custo pedindo sempre menos na aquisição de um bem. A prática do desconto já está enraizada em nosso comércio, tanto que os comerciantes, em sua maioria, já colocam uma quantia a mais agregada ao produto sabendo que haverá um “choro” e assim terá que fazer redução do preço estabelecido. É um embate interessante e nele, inevitavelmente, ganha o mais esperto. Até se chegar ao consenso às vezes se gastam minutos, horas, dias talvez.

Comigo, no entanto, o jogo é rápido. Não me arrisco a praticar vendas e, nas compras, nunca peço menos. Analiso o artigo e, se ele me interessa e posso pagar, pronto! O negócio está feito. Tenho minhas lojas de preferência, assim não fico andando por aí em busca de vantagens. Não se trata de possuir muito dinheiro, esse não é o meu caso; também não existe a intenção de querer ser melhor que outras pessoas, não faça mau juízo de mim. Até respeito quem usa desse expediente, apenas penso diferente. E vários motivos embasam minha atitude. Vou enumerar alguns.

De início, deixo claro minha dificuldade em lidar com o verbo pedir. Quem pede se coloca numa posição incômoda, fica sujeito à aprovação ou não de outrem, no caso o dono da mercadoria. A situação me aborrece e se numa dessas, por ventura, eu ganhasse um “não”, perderia o bom humor pelo resto do dia; perderia, na verdade, o próprio dia. Acrescento aqui o desgaste da negociação, acho imprópria essa troca de argumentos. De um lado reforçam-se as vantagens da suposta aquisição, do outro se monta um cenário de desinteresse em busca de um valor menor. Além disso, perde-se um bom tempo com a conversa, que poderia ser usado em algo mais produtivo. Mas, com certeza, o meu motivo principal de não lutar por descontos é o respeito ao comerciante que, sendo honesto, estipula o preço justo nos artigos que negocia. Conheço pessoas que, ao colocarem um bem qualquer à venda, dão o negócio por encerrado quando um pretenso comprador questiona o valor fixado. O ato da pechincha, se analisado com imparcialidade, configura-se numa depreciação da mercadoria e num descrédito ao vendedor.

Eu não peço menos, mesmo sabendo que às vezes estou pagando um pouco mais pelo artigo desejado. Sou assim, inocente talvez; ético, quem sabe.

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