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Miguel Patrício -

EU E O GOOGLE

Estamos passando por um momento de intensa transformação e, às vezes, nem percebemos. Tudo está acontecendo muito depressa, já que agora o homem conta com a preciosa ajuda do computador. E a máquina tem pressa. Se há 40 anos existia apenas nas grandes empresas, hoje anda por aí nos bolsos de cada indivíduo. Se antes tinha vários metros de altura, agora está cada vez menor e mais avançada. Essa evolução da tecnologia realmente nos surpreende a cada dia.

Hoje percebi, ao escrever um texto, que não preciso mais do meu dicionário, do meu velho e surrado “Aurélio” desta grossura, que comprei há vários anos em três suaves prestações. É verdade. Encontrei-o jogado na estante, coberto de poeira, sem ser manuseado há bastante tempo. Ele foi ultrapassado por um mecanismo mais rápido, mais potente, e aos poucos confinado sem utilidade, sem admiração a um depósito de mofo qualquer. Agora busco o significado das palavras no Google. O significado, as palavras e o resto, tudo. Mas, não é caso para dissabor, pois o dicionário não morreu, apenas perdeu seu corpo físico, como acontecerá com todos nós. Sua alma está viva, com todas as suas palavras, em páginas virtuais da internet. Ninguém poderia imaginar essa incrível transformação.

Outra surpresa me ocorreu ao entender que agora posso desfrutar da coleção inteirinha da Enciclopédia Barsa, com todos os seus 22 volumes, que tanto sucesso fez e nunca consegui adquirir, já que existia apenas para os mais abastados. Agora eu tenho, basta escrever uma simples frase no Google. Percebi, enfim, que esse navegador é meu grande companheiro, parceiro de trabalho, meu maior amigo. É nele que faço a pesquisa escolar, que acho o que comprar, que anuncio o que vender. É nele que conheço antecipadamente a praia e a pousada do passeio de final de ano, que me oriento para chegar a qualquer cidade, a qualquer lugar. É nele que encontro minha receita preferida de bolo, os livros ideais para minha distração e remédios para os meus males. Encontro, enfim, meus sinônimos.

Eu e o Google somos uma dupla infernal. Como Batman e Robin, como Sherlock Holmes e Dr. Watson vamos desvendando os casos, os mistérios, resolvendo todas as “paradas”. Mas o Google, apesar de me oferecer também inúmeras distrações, diversas e agradáveis companhias, não consegue me tirar da solidão. Alguém já disse isso, mas não tem importância, é uma preciosa verdade e merece ser repetida.

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