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A PRESSA É INIMIGA DA EDUCAÇÃO

Tenho me esforçado para não ter pressa. Faz tempo já notei como a velocidade de nossos atos é prejudicial à nossa vida, ao nosso caráter, aos nossos semelhantes. Na verdade, tenho pena de quem se apressa, daqueles que vivem correndo por aí. Essas pessoas concentram-se no objetivo traçado de manhã e se agitam o dia todo para alcançá-lo o mais rápido possível. Nessa correria se esquecem de viver o momento. Visualizam apenas o instante da chegada e desprezam o trajeto, a paisagem, as pessoas.

Tenho pena de quem se apressa. Na maioria, são pessoas levadas pela engrenagem do lucro, pela ambição do querer sempre mais. Entretando há aqueles que são obrigados a se apressarem. Talvez o trabalho indigno, as tarefas a cumprir, o horário a respeitar. Assim são impelidos pela necessidade da sobrevivência. Nos dois casos, ainda não conseguiram atingir um estágio de tranquilidade, um controle da mente sobre a rapidez de suas ações em busca de um resultado em consonância com a paz. É preciso parar e pensar: a pressa leva rapidamente nossos minutos, nossas horas, nossos dias, nossa existência.

E essa correria, oriunda das cidades grandes, já chegou em nossas ruas. Vemos por aí o vai e vem agitado das pessoas, o olhar transtornado de quem passa, os carros que “furam” o sinal e não respeitam as faixas, as motos que apostam corridas, fazem zigue-zague e provocam acidentes – principalmente aquelas atreladas a uma carrocinha. Antes mesmo da luz verde chegar, alguns já se lançam pela pista, acelerando para tomar a frente, para chegar primeiro, como se fosse uma nova corrida do ouro. Atravessar as ruas é um perigo; pisar uma faixa requer atenção, cuidado e prece; uma rotatória tornou-se o lugar ideal para a colisão.

Como seria bom se todos soubessem conter a precipitação dos seus passos, se soubessem exigir menos de si mesmos na incessante busca dos bens materiais! Estou me esforçando para isso. É lindo parar na faixa, é saudável não usar a buzina. É elegante oferecer a vez na fila, caminhar olhando para os lados, cumprimentar quem passa. As leis de trânsito e quem cuida do cumprimento delas fazem o que podem. O problema está mesmo nas pessoas que são movidas pelo dinheiro e não têm tempo para a vida, para o respeito, os bons costumes. “A pressa é inimiga da educação”. O ditado deveria ser assim.

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