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SER DIABÉTICO

SER DIABÉTICO

 

Nunca pensei que uma doença pudesse mexer tanto com a gente. Mexe, em todos os sentidos. Quando se descobre diabético, como diz naquela música do Israel Novaes, a gente se sente primo primeiro de um cachorro. Aí tudo é proibido e o sujeito acha que vai ter uma parada renal, ficar cego, desenvolver trombose. Não vai mais comer açúcar, beber refrigerantes e vai tomar duas injeções de insulina por dia. Quando os conhecidos e amigos ficam sabendo da terrível doença, todos tem uma receita caseira pra curar o mal: é chá de folhas, é raiz de não sei o quê, é casca disso é fruto daquilo, todos amargos e de gosto terrível e o que é pior: resultados negativos ou no máximo duvidoso. O ser diabético (deixa-se a condição humana, ou quase isso) compra um aparelhinho pra furar o dedo de manha cedo, em jejum e medir a glicemia todos os dias. Como se o simples conhecimento da quantidade de açúcar no sangue no dia fosse ajudar a combater a doença, que é crônica e, portanto, não tem cura. Mas pode ser controlada com dieta e atividades físicas. Aí é que está o X da questão. Na dieta tudo que é gostoso é proibido: carne com gordura, feijoada, bolinho de milho, sobremesas doces, tortas, bolo de chocolate, cerveja, aquela cachacinha então nem se fala. Até rapadura de amendoim. E a atividade física então. Muito melhor ficar no sofá vendo a Sessão da Tarde ou o Programa do Huck, as novelas, o futebol. Mas depois de um certo tempo a gente enche o saco, dribla o endocrinologista e vai pra beira do rio, pescar, tomar cerveja, comer churrasco e cantar com Munhoz e Mariano, “agora eu fiquei doce, doce, doce”. Só falta o camaro amarelo. Até a próxima crise de diabetes e começar tudo de novo.

 

Divino Alves, professor, pescador e... diabético

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