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O mendigo e o cão

O mendigo e o cão

Adeídes Rodrigues Pereira
Esta semana, durante uma de minhas inúmeras viagens estava com o rádio ligado quando o locutor colocou uma canção de fundo e, com voz firme, começou a narrar um fato ocorrido. Estava quase sem perceber que o rádio estava ligado, mas aquela estratégia utilizada pelo locutor me atraiu a atenção e me fez ouvir sua narrativa.

 A história narrada pelo locutor relatava que: um mendigo que vivia em uma movimentada avenida de uma cidade com seu cão de raça apurada – legítimo vira-lata, era educado e gentil e esse seu perfil atraia muitos curiosos que acabavam por ajuda-lo. Certa vez um homem, um executivo de uma das empresas daquela avenida o viu e começou a conversar com ele... daí, começou a ser cultivada entre eles uma amizade e o sempre que podia o executivo passava por aquele local e dedicava alguns minutos para conversar com o mendigo.

Entre um dia e outro, uma conversa e outra, certa vez o bem sucedido executivo resolveu perguntar ao pobre mendigo o que o levara aquela vida. Com poucas palavras ele revelou não saber, não se lembrar.

O diálogo nesse dia se estendeu e o executivo também o perguntou se ele tinha algum desejo ou sonho.

O velho mendigo olhou profundamente nos olhos do executivo e por alguns instantes ficou paralisado, mudo, quieto ao ponto de mal se perceber sua respiração. Quando de repente, como se retornasse de um transe, suspirou fundo, respondendo que sim. Tinha um sonho. Com todo o seu preparo psíquico e acadêmico, o nobre executivo já com sua mente ativada, começou a ter mil pensamentos e a vislumbrar qual seria o sonho daquele mendigo.

Como num repente, o executivo disparou sua pergunta ao coitado que estava sentado naquele amontoado de quinquilharia: “homem, qual é o seu sonho?” E, quando ele esperava uma resposta mirabolante, o mendigo mais uma vez o surpreende. “Meu sonho é comer um cachorro quente da Dona Ziza”, revelou.

Perplexo, o executivo indaga: “um cachorro quente?” E sem nenhuma cerimonia ouve a resposta que sim. Como num passe de mágica, o homem de negócios revelou ao mendigo: “aguarde um instante, vou realizar seu sonho”, dizendo isso se levantou e saiu.

Passado um tempo, eis que volta o executivo e em sua mão um vistoso e saboroso cachorro quente feito por Dona Ziza. Sorrindo, estendeu a mão e o entregou ao mendigo que ao pegá-lo, voltou a olhar profundamente ao homem e um brilho irradiou em seus olhos. Por alguns instantes, o mendigo vidrou os olhos sobre o sanduiche e quando o executivo menos esperava, ele retirou a salsicha e a entregou inteira para o amigo vira-lata.

Mais uma vez surpreso, o executivo não resistiu e perguntou: “você deu a salsicha para o cão, porque?” – Sem titubear, o mendigo respondeu: “ao melhor amigo se dá o melhor!” em seguida, revelou detalhes de sua amizade com o pobre cachorro, contando que quando ele dorme, o cão fica de vigília e não deixa ninguém se aproximar dele e o mesmo acontece quando o cão dorme.

Dessa história, é possível tirar algumas conclusões. A primeira, é o que fazemos e como tratamos nossas amizades?; a segunda, o que fazemos com as nossas cidades, suas pessoas, como tratamos aqueles que apesar da singeleza ou da situação temporária tanto podem ensinar?

Pense nisso e se tiver alguma dúvida, leia João 3:16 e descubra como se ama o próximo e o que se faz pelo amigo.

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