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Aventuras e desventuras

Aventuras e desventuras

Roberto Sousa, no facebook

Então chegou segunda feira...

Início de uma semana onde várias pessoas de índole fútil se distrairão compartilhando suas “aventuras ou desventuras” no evento nefasto, denominado Caldas Country.

Eu havia feito a mim mesmo a promessa de não mais me manifestar sobre “essa escória” que ocorreu em Goiás no fim de semana que findou... Não por desinteresse, porque acredito que dentre as obrigações que

todo cidadão deve ter, também faz parte a de ser útil à sua sociedade e colaborar para que o futuro da nação seja risonho e franco, como diria o poeta. Também não é por medo, porque aos trinta e cinco anos de idade já esgotei o estoque dos receios, das apreensões e dos sobressaltos com que o destino pretendia complicar meu dia-a-dia.

Mas minha promessa de não tocar mais nesse tema havia sido feita por desencanto, por desalento, por desesperança, por escassez de motivação ou algo parecido. Na semana passada, quando escrevi algumas opiniões sobre esse evento, fui criticado, recriminado e até excluído da lista de contato de alguns “amigos” que se sentiram ofendidos ao ler sobre fatos que eu já estava prevendo que ocorreriam nessa “festa”; e diante dos ultrajes que me foram oferecidos, essa decisão me pareceu ser a coisa mais sensata a fazer, mesmo ciente de que tornava-se triste e lamentável perceber que muitos jovens, ao incorporarem como belo um evento regado à inúmeras baixarias, estariam prontos para se metamorfosearem em inconsequentes, em alienados, em promíscuos, em ignorantes, em safados, em bárbaros, dentre inúmeras outras coisas mais.

Fazer o quê... Hoje vejo que todo povo tem a sociedade que merece... Ou vice-versa... E o que esperar de pessoas fazendo sexo em via pública, ateando fogo em veículos, dançando em cima de cabines policiais, fazendo suas necessidades fisiológicas no meio da rua, cometendo homicídios, estupros, enfim... Para mim, as pessoas que protagonizaram as cenas absurdas desse fim de semana em Caldas Novas, nada diferem daqueles que ocupam diariamente a Rua General Osório (conhecida por todos pelo apelido carinhoso de cracolândia) em SP. A diferença entre uma e outra é que na primeira existe público pagante e artistas de renome se apresentando para uma corja de alienados. Mas agora, depois que a poeira baixou, esse evento lascivo acabou e a alvorada chegou iluminando o sorriso de todos aqueles que lá foram e durante essa semana postarão orgulhosos inúmeras fotos com frases do tipo: “o que aconteceu em Caldas, morre em Caldas” ou “se namorar fosse bom o Caldas Country não bombava”, é que percebo que cresce a certeza de que a libidinagem, o desrespeito e o mau caráter são atributos indispensáveis a quem pretende ser feliz nesse país.

Pois bem: a conversa de hoje se prende a uma fratura exposta que é jogada na cara do povo brasileiro todos os anos no mês de novembro a partir de barbaridades cometidas por grupos de jovens inconsequentes, a maioria entre 16 e 25 anos de idade.

Alguém me disse certa vez que a ignorância é o fardo mais pesado que o homem pode carregar. E em minha “vaga noção” de sabedoria, essa é a mais coerente das verdades. Ainda mais após visualizar o saldo desse evento, onde infelizmente percebo que a ignorância transborda com fartura entre nós e nitidamente em seus dois sentidos: O DA BURRICE E O DA VIOLÊNCIA GRATUITA.

E é justamente sobre isso que eu desejo falar aqui e agora, acima de tudo sobre a ignorância, cujo cordão umbilical está ligado cada vez mais à sociedade brasileira. Essa “coisa” que é motivo de riso e pilhéria para aqueles que avaliam sua performance como símbolo máximo de diversão e entretenimento, que pra mim nada mais representa que a barbárie despontando, com o retrocesso do ser humano à sua condição mais primitiva, degradada e completamente irracional.

Entretanto, antes de todas as pedras me serem atiradas, deixo claro que sempre respeitei as pessoas como pessoas. Respeito GENTE COMO GENTE! Mas acredito que seres selvagens não devem ter direito de conviver em sociedade, e sim devem ser mantidos empilhados em jaulas, completamente isolados do convívio em grupo. Portanto, na verdade, desejo que os desejos bárbaros, sexuais ou amorais desses seres se fodam! Não tenho nada a ver com o que essas criaturas fazem em suas casas, em suas camas, ou em seus momentos íntimos, mas o que me incomoda é ver o que essas pessoas fazem nas ruas. Para quem vive em sociedade, sexo é intimidade. É para ser vivido em todas as suas formas sim, mas entre quatro paredes... Pois ainda que os praticantes não tenham pudor algum e até apreciem exibir suas relações, nem todo mundo é “voyeur”... E a plateia tem todo direito de não querer assistir a esse tipo de espetáculo.

Aos mais ignorantes, entendam de uma vez por todas: falo sobre caráter, que é uma conduta responsável que não tem a ver com etnia, nem com condição financeira, nem com opção sexual... Caráter tem a ver com zelo, respeito ao próximo e cuidado com o meio social.

E me deparar com as inúmeras cenas fotografadas nesse evento, das quais mostro algumas, me faz perceber cada vez mais que isso é a pura aceitação da subserviência cultural. Isso mata os laços estreitos históricos, nos quais se alicerçam os valores de uma nação.

E por favor, não venham me classificar de retrógrado como se eu quisesse com isso estar voltando à idade média, pois analisem comigo: se eu visualizasse essa pouca vergonha como algo normal, estaria retrocedendo mais ainda voltando à idade antiga, nos tempos de Sodoma e Gomorra.

Alguém já parou para calcular o quanto esses imundos oneram o Estado, que desperdiça fortunas para socorrer vítimas de roubos ou espancamentos causados por inúmeros festeiros drogados e embriagados? E as sequelas e traumas permanentes causados por acidentes de automóvel nas rodovias? E a recuperação do patrimônio histórico de uma cidade, destruído por vândalos? E quanto o Poder Público desembolsa com os procedimentos de curetagem que muitas jovens se submetem depois das orgias em praça pública que geram abortos decorrentes de uma gravidez indesejada?

Infelizmente, essa geração de entes omissos está criando uma geração de cidadãos sem limites, sem respeito por nada nem ninguém. É por isso que cenas lamentáveis como essas “barbáries” de adolescentes são cada vez mais toleráveis em nosso mundo contemporâneo.

E isso ocorre principalmente porque hoje em dia, “cuidado e autopreservação” estão fora de moda não é verdade? O certo é não ter medo, é se jogar de cabeça em cada nova odisseia, que quanto mais frenética, arriscada, inconsequente e desmedida, melhor!

É amigos... Ser brasileiro hoje em dia é meio difícil.

Nem pátria do mensalão... Nem país do futebol... Nem nação da bunda e do carnaval... O que eu queria mesmo é ver que nos tornamos o Brasil da cultura, da educação e acima de tudo, da ORDEM E DO PROGRESSO.

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