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SONHO OU REALIDADE?

Era noite calma. Sentei-me na varanda de minha casa após um cansativo dia de trabalho. Meus olhos se voltaram para o céu muito límpido, todo coberto de estrelas. Muitas delas já conhecidas, sei exatamente qual o seu lugar. Gosto disso, gosto daqueles pontos luminosos suspensos no ar. Admiro o brilho, o mistério, tento entender a distância em que se encontram de mim. Acanho-me em dizer, mas sempre que tenho um tempo assim fico olhando para o infinito tentando notar alguma movimentação, algo diferente entre as estrelas, escondido parcialmente por uma nuvem. Talvez meus olhos identifiquem nesta imensidão um novo astro invadindo a atmosfera, um meteoro, um cometa ou até mesmo uma nave espacial descuidada que se afastou de sua rota e surgiu por aqui. E... aconteceu!

Meus olhos se grudaram num ponto pequenino do horizonte. Não sei se já estava lá ou se havia surgido naquele momento. Muito distante, mas divergente daquele quadro habitual, apresentava uma cor estranha que eu não soube identificar. É uma estrela nova, imaginei, mas quando a coisa se mexeu, se elevou no céu e aumentou o tamanho, não tive dúvidas: finalmente estava vendo um disco voador. Não pensei em filmar ou fotografar, atentei apenas a não perdê-lo de vista. Nós, seres humanos, temos o poder de prender qualquer objeto ou pessoa com os olhos, não é? Tinha receio que desaparecesse de repente e eu não pudesse desfrutar pelo menos um segundo a mais de sua maravilha. E não me descuidei.

Meu medo era infundado. A estrela foi crescendo, se aproximando, sempre em minha direção, como se soubesse que eu estava ali, como se eu fosse o escolhido entre tantas pessoas ao redor, nos outros quintais, nas ruas, nas praças. E quando o desconhecido ponto incandescente alcançou o tamanho de uma bola de futebol, levantei-me com a intenção de correr para dentro de casa. Não o fiz. Não podia fraquejar exatamente naquele instante. A nave foi se aproximando, tomando forma, diminuindo o brilho, planou e desceu em meu quintal. Tal qual nos filmes de ficção, que adoro, uma porta se abriu de cima para baixo e uma pequena criatura de aspecto irreal, como se fosse transparente, caminhou pelo ar em minha direção. Sem nada dizer, estendeu o braço e tocou minha mão. Eu me deixei levar. Flutuei ao seu lado e adentrei a embarcação que continuava ligada, piscando em vários pontos, exalando cores desconhecidas. Subi ao espaço. Em um segundo a terra se distanciou, desviamos do sol e alcançamos outra dimensão. Ao meu lado a criatura, sentada ao piloto, parecia esboçar um leve sorriso diante de minha incredulidade.

Passamos por várias estrelas e planetas, contornamos asteróides, alcançamos e ultrapassamos enormes cometas, atravessamos galáxias inteiras e mergulhamos em buracos negros. Sabia que estava acima da velocidade da luz, mas podia ver e admirar nitidamente os corpos celestes que ficavam para trás. Vi mundos estranhos e inacreditáveis de uma beleza sem fim. Senti-me o maior de todos os seres humanos e, ao mesmo tempo, a menor de todas as criaturas frente à imensidão do Universo. Aos poucos minhas vistas foram escurecendo como se estivéssemos sobrevoando um mundo sem cor. A estranha viagem prosseguiu por mais alguns instantes e, como por encanto, eu estava novamente em minha cadeira, sob a varanda, vendo o disco voador se distanciar no espaço. Ainda deu para perceber a criatura me fazendo um sinal de despedida. Até agora não sei se a minha aventura foi sonho ou realidade.

Participação: Luciano do Reis

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