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Miguel Patrício -

SERVIÇO DE CASA

Já percebi que serviço de casa irrita as mulheres, na verdade irrita quem o faça, pois ele não acaba, há sempre algo a mais para limpar, lavar, arrumar, para fazer. E isso tira a paciência de qualquer um. Por isso, a dona de casa está sempre de cara amarrada.

Após o almoço ou jantar, é enorme o número de vasilhas na pia para serem lavadas, enxugadas e guardadas. A coitada, ao acabar de fazer a boia, encontra-se sempre numa encruzilhada. É preciso diariamente escolher sentar à mesa, se unir à família e degustar a comida enquanto quente para depois se jogar ao trabalho já com aquele soninho pós-refeição chegando; ou se dedicar a lavar aquilo tudo antes e só comer os pratos frios, quando todos da casa já se retiraram, e se preparar interiormente para lavar o restante das vasilhas. Isso faz o bom humor voar pela janela.

Com esse tempo seco, uma poeira safada vai chegando e entrando em todo lugar. Não há parte da casa onde ela não encosta. O vento não para um segundo, fazendo seu trabalho sujo, e o jeito é limpar todo dia para não ficar mais difícil depois. É uma tarefa ingrata, pois logo que o serviço termina é preciso começar outra vez se realmente quiser ver tudo limpo. Em certa época até aparecem uns redemoinhos que arrastam ciscos e jogam quase tudo dentro do quintal. Pouco vai para o vizinho. Nesse dia, algumas palavras a mais inevitavelmente são xingadas.

Sofre mais aquelas pessoas que têm mania de limpeza, que põem ordem no interior da casa, depois avançam para a calçada e chegam até a rua. Elas não conseguem ver uma folha frente à residência sem pegar uma vassoura e ir recolher. A maioria se arma de uma mangueira d’água ou uma máquina elétrica e ataca a sujeira. Gasta muita água, mas preserva a gastrite. Depois volta para dentro com a incumbência de lavar e passar a roupa da família, uma ocupação que poucos gostam de fazer. Não é fácil manter a calma diante de tanto serviço.

Banheiro é a parte mais chata. Todos da casa usam, mas ninguém lava. Nem sabem onde estão os sabões, os detergentes, os perfumantes utilizados. A incumbência fica apenas para a dona de casa. Os papéis são amassados e amarrados num saco plástico para serem conduzidos à lixeira. A escova é utilizada pacientemente para não ficar resíduos no vaso. O sabão é espalhado, o chão esfregado e, no momento em que está secando, já tem alguém na porta esperando para sujar o local de novo. Dá vontade de jogar tudo para o alto e citar novamente aquelas palavras de baixo calão.

Serviço de casa é assim mesmo: difícil de fazer, duro de terminar. Quase não sobra tempo para as outras atividades, nem mesmo para colocar em dia os contatos da rede social, para ver um pouco de reclamações no grupo virtual das donas de casa. Quem pode, paga uma secretária, mas quem não pode necessita de compreensão e paciência do marido que, ao chegar, encontra a mulher feito uma arara. A culpa é do serviço de casa. Isso não é missão, é castigo!

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