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Miguel Patrício -

NO MEU TEMPO...

É fácil ver por aí que as pessoas mais jovens têm sempre uma crítica guardada para aqueles que apresentam maior quantidade de anos e que, às vezes, relembram o passado. Parece ser proibido aos saudosistas voltar no tempo e falar das coisas que fizeram, dos momentos que viveram, de como a vida era. São menosprezadas as músicas, as festas, os costumes, a cultura. São motivos de piada as roupas, os cortes de cabelo, as fotografias. Se alguém disser a frase “No meu tempo”, pode-se preparar para a reprovação. Desaba imediatamente sobre ele uma enxurrada de defeitos acompanhada dos costumeiros risos irônicos.

Sei que a atualidade apresenta incontáveis mudanças, desenvolvimentos e novidades. Não se pode desprezar a evolução dos últimos anos, mas cada um prefere o seu tempo, o que na verdade é algo natural, e por essa escolha não merece ser advertido, condenado a se calar, proibido de suas lembranças. No meu tempo, por exemplo, havia muita coisa boa. As pessoas vivem enumerando, apesar das críticas, o que foi construído. Diariamente a internet espalha pelo mundo inúmeros vídeos mostrando a beleza e a simplicidade dos bons e velhos tempos. Enumerar seria repetitivo, só é importante ressaltar que a juventude de ontem tinha o seu jeito próprio de ser feliz.

Essa atitude quase unânime dos jovens de criticar as pessoas mais velhas verdadeiramente foge de minha compreensão. As frases maldosas chegam como uma brincadeira, mas trazem consigo o desprezo pelo antigo, a desvalorização da história. Talvez pela falta de experiência, deixam de considerar o que não construíram, o que não lhes pertence, ou talvez aquilo que não podem mudar. Certo é que eles não sabem o que fazem. Desconhecem a frase “É dando que se recebe”, da Oração de São Francisco. Melhor ainda, ignoram o ditado popular “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. A vida segue para todos e em pouco tempo irão receber de volta o que hoje plantam. Aí certamente virá o arrependimento de seus desacertos.

Não quero aqui empreender uma luta entre gerações; apenas defender o direito “Constitucional” de locomoção ao passado, ou seja, direito de ir e vir em busca das recordações que embelezam e valorizam a vida de todos aqueles que construíram em seu caminho bons e saudosos momentos. Nesse quesito, a minha geração traz consigo a consciência tranquila. No meu tempo, a gente respeitava os mais velhos.

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