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Miguel Patrício -

BRINCAR DE CASINHA

Mulheres têm muitas manias; algumas até compreensíveis, outras nem tanto. A maioria delas encontra-se sempre distante da lógica masculina, transformando-se em motivos que dificultam o bom relacionamento do casal. Uma dessas manias é mudar as coisas de lugar. Impelida pela necessidade de limpeza e organização, a dona de casa está constantemente arrumando o que imagina estar desorganizado. O problema é que, para o homem, aquele desarranjo arranjado por ele tem uma sequência perfeita, tanto que é capaz de encontrar o que necessita até no escuro, ou seja, para ele está tudo ajeitado, só não tem uma disposição bonita. Quando vê tudo diferente, procura algo e não encontra, aparece a desavença.

A coisa se complica quando a mulher se dedica a mudar o ambiente da casa trocando os móveis de lugar. Dá um trabalho danado para arrastar os utensílios domésticos e recolocá-los no local escolhido. Nessa tarefa gasta quase o dia inteiro recostando daqui, puxando dali, arredando acolá até se sentir satisfeita por aquele momento, por aqueles dias, uma semana talvez. Depois volta a desmanchar o trabalho para fazer tudo novamente. E o homem, acostumado com o sofá frente à TV, com a cabeceira da cama do lado da porta do quarto, com o armário próximo ao fogão, sente-se totalmente perdido naquele novo lar e, mais uma vez, retoma a árdua tarefa de se acostumar com a nova disposição, não sem antes fazer a reclamação de sempre, é verdade.

A mania das mulheres mudarem os móveis de lugar, na verdade já foi até motivo de separação. Alguns homens não conseguem conceber tanto trabalho para não dar em nada, e o pior, sem um motivo aparente. Aconteceram casos em que o marido se ausentou por alguns dias e, ao voltar, avistou o quarto na sala, a sala migrou para a cozinha, e esta só descobriu tempos depois na varanda. E não encontrou uma justificativa plausível para tanta mudança, nem fundamento de haver um quarto vazio e fechado para evitar poeira. Não é motivo de briga e até mesmo de separação?

Na verdade, se fizermos uma análise mais humana sobre a origem do sonho feminino de obter uma morada para si, não é difícil encontrar uma explicação para esse comportamento. Quando criança, as meninas idealizam a casa que irá administrar quando adulta por ocasião do casamento. Por um bom punhado de anos, elas brincam de casinha e lá dispõem seus brinquedos, seus pequenos apetrechos, buscando sempre a melhor arrumação e modificando várias vezes para ficar mais atraente, mais bonito. Esse vai e vem do mobiliário fica gravado fortemente no subconsciente, fazendo com que repitam a mesma atitude quando adquirem seu verdadeiro lar. E não pense que as meninas de hoje, mais evoluídas, sejam diferentes. Virtualmente, em softwares desenvolvidos para esse fim, vivem construindo suas fantasias, as suas casas para o futuro.

Sabendo disso, os homens deveriam ter um pouco mais de paciência com as companheiras. Ao invés de se preocuparem de que forma estará a sala no domingo para assistir ao jogo do Flamengo, poderiam até ajudar a esposa arrastando alguns móveis, dando força, participando dessa eterna vocação feminina de brincar de casinha. Por que não?

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